sexta-feira, 10 de setembro de 2010

A preguiça
Se há algum ponto em que mesmo os ateus devem concordar com os cristãos é que deve se convir que a preguiça é mesmo um dos grandes pecados que todos cometemos. Mas veja bem: não aquela preguiça de logo depois do almoço ou após acordar. É aquela que prende o indivíduo à uma condição de pobreza intelectual e material.
Visto isso, podemos dizer que, da maneira como foi implantada a cultura televisiva no Brasil, foi implantada juntamente com ela uma rede de valores que impele o cidadão a balançar a cabeça dizendo sim, num ato de concordância sem discernimento, todo dia depois do Jornal Nacional, sem nem mesmo se prestar a pesquisar a veracidade das informações. Isso tudo porque os valores implantados fazem referencia à um sistema de credibilidade que a Rede Globo de Televisão tem para com a sociedade, valendo-se disso para atender aos seus interesses arbitrários e de caráter totalmente pessoais.
A massiva indústria de consumo cultural que essa rede de comunicação representa é algo tão ofensivo à capacidade de discernimento dos cidadões que é capaz de ditar modas, valores, formas de educação, enfim, de dizer como deve ser a vida do brasileiro, que produtos deve consumir, ou pelo menos, os que deve dirigir sua atenção. A forma concreta como isso se apresenta no meio é de uma sutileza ímpar, visto que está tão entranhada nos costumes sociais que fica difícil distinguir o que é próprio da cultura brasileira e o que foi implantado pela Globo. Ora, pois há que se dizer que na casa do brasileiro pode até, às vezes, faltar comida, mas a televisão ligada sacia a fome.
Ademais, os interesses políticos atrelados a se manter a população como um fantoche não vem de hoje, e também com isso, sustentam esse império, essa ditadura de valores em pé, situação que é extremamente importante para se governar sem questionamento ou indagação. Sendo assim, enquanto a preguiça fizer parte do ciclo, e esse não for quebrado, continuaremos com o carnaval que é o Senado, a Câmara Federal: tudo passa na Globo, que tem “... tudo a ver...” com você.

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