Quantas noites?
Serão precisos quantos períodos de rotação da terra pra que
a sensação passe? Quantas reencarnações pra nos encontrarmos? É para ser assim?
Já escrevi demais sobre você. Mas as oportunidades passaram. Contudo, sua
imagem não esmaece na minha memória. Felizmente ou infelizmente.
As pessoas não entendem essa crença que tenho. Se for pra
ser assim vai ser. Não é uma questão de comodismo.
O que vai ser preciso para passar a sensação de te esquecer
ou de ter de volta? Tudo o que conheço como “melhor época” vai ser remetido a
você? Vou ter que passar o resto dessa vi(n)da contando pra mim mesmo que o
melhor que vou conseguir fazer vai ser fingir que está bem? Vou ter que jogar
todas as músicas boas no “lixo” do esquecimento pra não lembrar de você?
Aprendi muito contigo. Inclusive que a resignação é uma
ótima qualidade. Contudo meu reclame hoje não são as coisas boas que
trouxestes. Meu reclame hoje tem a ver com o vazio que deixou. Se me ensinou a
ser melhor, por que não vem aproveitar nossa melhora comigo? Por que teve que
me deixa. E a pergunta, talvez, nem seja diretamente pra você. A pergunta é pra
quem bolou esse plano de retorno. É isso mesmo? Se for, vou me aprimorar na
resignação. Se não for, não fará o menor sentido.
Já sei o que quero da vida, o que, provavelmente foi um
fator determinante pra não estar mais comigo. Mas o que o que eu quero da vida
agora ainda, às vezes, inclui você. Por que ainda deixo estar na minha cabeça.
Não há outra maneira de dizer pra mim mesmo que não escrevendo assim. Se for
uma coisa tão grandiosa quanto sinto, ainda não acabou. Se é desejo possessão,
estou seriamente comprometido com o futuro que creio. Se for uma hipótese
aleatória, ficarei extremamente decepcionado.
Sabendo ou não o que quero da vida, a única coisa que ainda
quero saber é se isso vai durar muito. Quero alguém pra envelhecer comigo. Mas
parece que querer isso, hoje em dia, significa querer estar velho. E se for pra
ficar sozinho... ótimo! Vamos lá. Mas... quantas noites mais?