terça-feira, 22 de abril de 2014

Inundação…

Carregado de todo aquele sentimento que não há como se descrever chego em casa. Após pesados passos, frios passos, sobre oito lances de escadas, cada pisada soa como uma marretada em meu ser, no mais profundo do seu sentido. Haveria eu que ser rebuscado pra surpreender, pra chamar a atenção ou ser completo no sentido? A essa altura da madrugada, nem sei mais como deveria ser, me perdi num trucando jogo de ontologia e deontologia que não quero mais me situar.
Tudo transcorreu como normal: foi uma ansiedade sem sentido, um pesar que não trouxe arrasto mental nem, muito menos, um remorso que me faria escrever isso. Há simplesmente um inundado coração de sentimento sem descrição precisa, há simplesmente um ser que só dói de uma maneira aliviada, como se houvesse trazido por mim mesmo algo que se remedia antes mesmo de acontecer, um saudoso porvir que não nem se quer foi pensado.
Devo trazer em mim a pena por não ter agido de tal forma ou um remorso por tentar ser corrupto com os meus? Não há mais parâmetros para se classificar nem muito menos escrúpulos para balizar minha progênita felicidade. Tudo que um dia houve em meu pensamento já não tem porquê, por que antes mesmo de acontecer já não havia sentido.
Te olhei, te vi, te admirei já sabendo que haveria situação de impedimento quanto a qualquer tipo de prosseguimento… a situação era inevitável.
Fiz todo o procedimento de análise, friamente calculado, já sabendo que qualquer passo que tomasse levaria à situação em que me via escrevendo isso! Culpa minha de estar no lugar! Culpa minha de ser criterioso! Culpa minha de querer o melhor por achar que mereço.
Inundo-me por esse sentimento que nem me sinto feliz pela maneira como transcorreu. O desprezível ato de não se sentir feliz nem pela conquista dos seus, você já se sentiu assim? Não consigo desejar isso nem para o mais inferior dos seres. É o haver de ser sem ter sentido na sua deontologia pregressa.

É pra não haver sentido. É pra ser inundado da falta de lógica.

domingo, 19 de janeiro de 2014

E aí, qual é a sua?

E quando o carro para?

Eis a grande pergunta: qual o objetivo? Tal pergunta não se direciona a uma área específica da vida, trabalho, relacionamento, família, dinheiro… é única e simplesmente “qual o objetivo?”; também não se vira à alguém, não é o seu objetivo, não o meu, o da empresa ou o da instituição religiosa. É como aquelas perguntas feitas por psicólogos nos filmes:
– Quem é você?
– Bom, meu nome é…
– Não perguntei seu nome! Perguntei quem você é!?
– Sou bancário e…
– Também não perguntei sua ocupação!
E assim o diálogo exemplo segue. É uma pergunta retórica, para ser guardada ao fundo de suas conversas consigo, aquelas mais íntimas. É para ser pensada e não respondida. É como o jarro de Klein, a escada de Penrose; sem começo e sem fim, sua boca é também seu bojo, seu primeiro passo é também seu último.
À essa introdução dá-se a causa do título. O que faz um cachorro que corre desesperado atrás de um carro quando ele para? QUAL O OBJETIVO? E nesse caso metafórico sim, podemos especializar a pergunta: qual era o objetivo do animal ao correr atrás do carro? Duas hipóteses me vem a cabeça: independente de consciência, tinha ele um objetivo?; ele era capaz de compreender o resultado que o objetivo que tinha?
Em casos específicos de nossas vidas nos deparamos com questões como essa. Podemos até ignorá-las, passar por cima dos questionamentos… quando voltarem à nos circundar, nos atormentarão ainda mais gravemente.
Eis que, a resposta – que não era pra ser respondida – que encontrei é que as vezes devemos deixar os carros passarem, não porque não sabemos nossos objetivos; porque talvez não estamos preparados pra entender o resultado de se lhes alcançar. Essa resposta serve pra mim, pode não servir ao leitor…
Enfim, alerto também sobre a pressa: o condutor do carro, certamente não corre mais que o cachorro, se estivesse sem o veículo. Analisemos a profundidade dessa proposição.

·    Temos tanta pressa em alcançar o carro, correndo desesperadamente, que não paramos pra analisar o porquê fazemos isso; nos frustramos ao saber que corremos tanto, com tanto afinco, atrás de algo que não podemos nem lidar nem compreender;
·    Correr não significa ser mais rápido, eis que o condutor, como já disse, não corre mais que o animal, quando sem o veículo; portanto, quando vemos os outros passeando em seus objetivos (veículos), “firmes e fortes” na sua escolha, na maioria das vezes, não sabem nem aonde estão indo, nem o porquê de dirigir rápido. São meros estereótipos de sucesso que não passam de confusão e alienação;

·   Ter, nesse caso da meta-parábola, não significa ser… “traduzindo”, não é tendo um carro, não é indo mais rápido com ele, que significa estar certo do que se faz ou do que se quer.
Com isso, leitor, não deixemos que ditem vossos ritmos. Não há só essa vida. Não nos conformemos com o tempo que nos dão para estudar; que não se abaixe a cabeça para o tempo que nos concedem para nos aprimorarmos. Aliás, não conseguimos nem mesmo definir o que é tempo, só temos ideia de que esse ente é infinito… se é assim, por que a pressa? Teremos todo o tempo necessário para corrigirmos todos os erros que provocamos.
Então, qual o objetivo?
Estamos num imersos num fluido de consumismo onde se prioriza o conhecimento “adquirido”, literalmente com dinheiro, à experiência, vivida nas sensações, na pele. Chegam ao absurdo, nas redes sociais, a se dizer que se uma mulher tem mais livros que sapatos ela é digna de ser agraciada com um matrimônio. Mais qual a experiência dela? Substituir um consumismo pelo outro? É como dizer que um homem será um bom pai se ele tiver gasto mais dinheiro no carro que tem do que em todas as cervejas que bebeu na vida. É essa a minha observação.
Vivenciamos diariamente, principalmente na classe-medíocre-mediana-morna-média (que não se pergunta QUAL O OBJETIVO), um massacre às expectativas dos jovens que “se formam” em algum curso, mexendo intimamente com suas ensinadas ambições, dizendo que um diploma garante a felicidade eterna. Chegam ao absurdo de querer traduzir e simular que a experiência proporcionada pela vida é mais valiosa no livro, e dizer que pode ser aprendida através de sua leitura, e pior: que DEVE ser ADQUIRIDA nos papéis; por que esse apego ao livro? Por que a anexação/vinculação de que quem ler mais será mais “esperto”? Por que querer ser mais esperto? QUAL O OBJETIVO?

QUAL O OBJETIVO?