sábado, 4 de setembro de 2010

A dependência é o...

O SISTEMA

- Senhor, – diz a atendente já olhando torto – não posso verificar o que senhor me requisitou porque o sistema “caiu”!

- Pois bem, – mal a espero terminar, já interrompo – não podes fazê-lo manualmente?

- Não, senhor, somente há consulta mediante o sistema...

Eis ai o exemplo clássico do funcionalismo público. Quem, dentre os senhores leitores, nunca passou por uma situação dessas? Outra pergunta pertinente de se fazer a esse momento é: até que ponto o método digital é benéfico para qualquer coisa?!

Também reside ai uma pergunta de difícil resposta, pois que uma vez adquirido um “sistema ágil”, não é conveniente que se volte no tempo para a prática do método anterior.

Mas a implicância maior nem é tão pertinente assim ao órgão público, mas sim à dependência de um sistema eletrônico. Pois que ontem assistia a uma reportagem na nossa queridíssima Rede Globo de Comunicação, na Revista Semanal Fantástico, uma (raríssima) reportagem boa sobre o vício e a dependência eletrônica e da informática na nossa vida. No conteúdo da reportagem, havia uma jovem, que creio devia estar lá pelos seus 15 ou 16 anos, a qual não se desvencilhava do computador conectado à internet por causa das redes sociais.

Dentro do parágrafo anterior existem dois assuntos dos quais gostaria de explanar minha opinião e, se possível, embasá-la com uma crítica ácida.

O primeiro tem a ver com os aspectos que apresentam riscos dentro das redes sociais. A aparência de inofensividade da internet é algo assustador, mas não pela aquela impressão que os pais tem da internet: “algo que vai devorar meu filho(a)”. O grande problema dessas relações é que elas servem única e exclusivamente para acabar com seu convívio social de verdade: quanto mais “social” você é na internet, menos socializável você se torna na vida real. Isso se apresentou de uma forma tão concreta na entrevista, no momento em que a jovem que era mostrada nem se quer imaginou que para mandar uma carta via correio ela deveria saber o endereço do remetente (ela mesma) e o destinatário. A meu ver, ela nem sabia onde ela mesma morava. Aí entra a questão da dependência, onde tudo o que é feito é o computador, guiado pelo programa, que faz, sem que o operador precise pensar muito.

Abordando a questão da obesidade física, gostaria aqui de criar uma espécie de neologismo das patologias psíquicas: a obesidade mental. Nada contra os gordinhos, pois eis que aqui leitores, lhes escreve um também. Mas o que parece acontecer com a jovem apresentada na reportagem é uma espécie de “gordisse” que a impede de pensar e, muito me parece, que se ela precisar fazer uma conta de multiplicação por 10 precisará de uma calculadora (se você ai que está lendo acha isso necessário, está na hora de rever seus conceitos ou ir ao médico).

Já, tendo em vista emendar os assuntos, o segundo tema que às vezes me perturba a mente quanto ao futuro das gerações, é o fato de que essa jovem é exemplo comum! EXEMPLO COMUM! Isso é um absurdo: ela não é exceção! Essa juventude colorida de hoje não tem noção mínima do que é sistema, de como tudo funciona e de como estão sendo, todos eles, ludibriados pela falácia da facilidade que informatização proporciona. A vontade desse que escreve é mandar à P%$¨ que P%$@$ a praticidade, bando de jovens mentalmente obesos. E que não me venham com a desculpa que leram Crepúsculo, essa guloseima maldita que deixa você com uma tonelada a mais na mente.

Complicado mesmo é expor uma opinião assim, tendo em vista que a preguiça que possui as mentes vai pensar antes em me criticar do que em começar a rever os próprios conceitos. Assim acontece também com o exame da Ordem dos Advogados do Brasil: todos reclamam que ele existe; mas será que todos já começaram a estudar para se preparar para ele?!

É só mais um desabafo dessa mente senil em corpo jovem que vos fala, mas a praga que eu gostaria de lançar é que o tempo da tempestade solar magnética venha o quanto antes e acabe com toda a tecnologia que existe, fazendo com os viciados nela tenham que começar pensar para se divertir, para se informar, para se comunicar, enfim, que reduza toda a dependência do ser humano da máquina e voltem às cartas, telégrafos, jornais, revistas, amarelinhas, pique - esconde e tudo de bom que havia a não mais que duas décadas.

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