Carregado de todo aquele sentimento que não há como se
descrever chego em casa. Após pesados passos, frios passos, sobre oito lances
de escadas, cada pisada soa como uma marretada em meu ser, no mais profundo do
seu sentido. Haveria eu que ser rebuscado pra surpreender, pra chamar a atenção
ou ser completo no sentido? A essa altura da madrugada, nem sei mais como
deveria ser, me perdi num trucando jogo de ontologia e deontologia que não
quero mais me situar.
Tudo transcorreu como normal: foi uma ansiedade sem sentido,
um pesar que não trouxe arrasto mental nem, muito menos, um remorso que me
faria escrever isso. Há simplesmente um inundado coração de sentimento sem
descrição precisa, há simplesmente um ser que só dói de uma maneira aliviada,
como se houvesse trazido por mim mesmo algo que se remedia antes mesmo de
acontecer, um saudoso porvir que não nem se quer foi pensado.
Devo trazer em mim a pena por não ter agido de tal forma ou
um remorso por tentar ser corrupto com os meus? Não há mais parâmetros para se
classificar nem muito menos escrúpulos para balizar minha progênita felicidade.
Tudo que um dia houve em meu pensamento já não tem porquê, por que antes mesmo
de acontecer já não havia sentido.
Te olhei, te vi, te admirei já sabendo que haveria situação
de impedimento quanto a qualquer tipo de prosseguimento… a situação era
inevitável.
Fiz todo o procedimento de análise, friamente calculado, já
sabendo que qualquer passo que tomasse levaria à situação em que me via
escrevendo isso! Culpa minha de estar no lugar! Culpa minha de ser criterioso!
Culpa minha de querer o melhor por achar que mereço.
Inundo-me por esse sentimento que nem me sinto feliz pela
maneira como transcorreu. O desprezível ato de não se sentir feliz nem pela
conquista dos seus, você já se sentiu assim? Não consigo desejar isso nem para
o mais inferior dos seres. É o haver de ser sem ter sentido na sua deontologia
pregressa.
É pra não haver sentido. É pra ser inundado da falta de
lógica.