Última crise? Tá mais pra barroco!
Rá... descontraído nas férias! Até parece verdade. Tá mais pra entediado. É que na cabeça de quem pensa como eu, ou quem se parece comigo, provavelmente só se pode ser feliz assim. Mas enfim, creio que essa não é a última crise, a menos que eu morra amanhã; pensamento típico de crise.
Desde que me lembro, e olha que minha memória longa é fantástica, nunca me perguntaram o que eu gostaria de ser quando fosse “gente grande”. Daí que eu tirei a ideia de responder o porquê me exijo tanto sobre o que eu vou ser agora que sou gente grande: nunca pediram, eu senti falta por não terem feito isso, logo, eu mesmo estou a fazê-lo.
As buscas para o contentamento pessoal, interiormente falando, são idealmente perfeitas; obviamente por serem ideais... Mas o que tento trazer é que a maioria das pessoas, quando jovens ainda, fica só nessa, tipo eu agora, sonhando que um dia haverá algum tipo de reconhecimento para quem escreve, sendo que hoje, ainda longe da alfabetização completa (antônimo dos analfabetos funcionais), uma grande parcela, comparativamente falando, da população tem acesso aos benefícios como acesso à internet ou no mínimo, um pc; logo, é difícil ser destaque e conseguir o reconhecimento.
Daí assim... brincadeira, não vou continuar nesse raciocínio chato. Mas porra... Custava se ter certeza de que se a gente se aplicasse em algo conseguiria dinheiro e, mesmo que o reconhecimento seja algo apenas para o ego, mas conquistar um pouco dele?! Ah, custava sim, que graça haveria nisso...? Sempre ter certeza de algo. É o velho descontentamento humano, que de forma alguma habita nas coisas, mas sim, no próprio ser. Ele é quase¹ como o direito: se não houvesse um único ser humano, haveria descontentamento? Ou pior: se não houvesse nada, e só o ser humano, seria contente, contemplado por não ter nada para sentir falta, ou seria descontente por não ter nada a reclamar? Filosofia barata hein! (pelo menos fui eu quem fez, não fiquei rebuscando e fazendo releitura nos clássicos!)
Concluído que o descontentamento habita o espírito, como diria nosso querido Dèscartès, cabe então, outra análise: que a plenitude de existência não depende de quanto temos, ou a qualidade das coisas que possuímos, mas sim da capacidade que temos de usufruir daquilo que está ao nosso alcance para melhorar, afinal de contas, sensatez ao extremo faz mal e isso aconteceria se apenas ficássemos realizados com o que está à volta e não modificasse àquilo que é natural o que faz parte da condição humana.
Para exemplificar isso, tentarei usar duas ocasiões. Numa delas, imagine-se ganhando na mega-sena, mas imagine uma quantia realmente muito grande de dinheiro, algo como dez vezes a mega-sena acumulada de final de ano. À primeira vista, seria algo imensurável as coisas que você poderia fazer com esse dinheiro, mas essa visão, a primeira, é algo idealizado, que mais cedo ou mais tarde se confrontará com a realidade. Isso por que pense na seguinte situação: você compra um helicóptero, e deseja pousá-lo no meio da rua; mesmo com espaço suficiente, logicamente na maior parte do mundo, a condição humana de imposição de regras para o bom convívio alheio o puniria por isso. Já a outra ocasião, utilizando-se do exemplo do helicóptero ainda, é a “pior” parte da história. É a parte dos intangíveis². É aquela velha história de que “dinheiro não compra felicidade”. Mas eu gostaria de abordá-la por um ponto de vista que aprendi com o que apreendi com as pouquíssimas vezes que tenho treinado uma arte marcial. E se segue da seguinte maneira: você, todo lindo(a) maravilhoso(a), desce da sua embarcação e se depara com um idiota querendo te bater. Pronto, você é mais uma vítima que tem montes de dinheiro, mas que na hora que precisa, não sabe o que fazer, pois ao invés de buscar auto aprimoramento, estava preocupado de mais buscando coisas para comprar e descobrir uma utilidade depois.
É meio complicado de explicar isso, porque é uma questão extremamente pessoal, mas eu vejo assim. Que o dinheiro pode até comprar uma felicidade momentânea e tal, pode comprar seres humanos, sejam eles homens da lei ou não, mas condicionamento físico, e mais além, condicionamento espiritual para enfrentar algumas situações, eu não sei dizer onde encontrar ou como conseguir, mas estou buscando. E às vezes, uma coisa até meio segredista³, as pessoas reclamam por sua condição de saúde, financeira, entre outras, mas elas não estão aptas a receber aquilo, não se preparam para ganhar o carro que querem, ou a pessoa que precisam. Por isso, para conquistar àquilo que é externo, é preciso, como novamente nas palavras do nosso Dèscartès, conquistar e dominar àquilo que nos é interno. Eis ai a crise... Mas por que barroco?
Pela dicotomia de planejamento de ação e pela procrastinação, que são, respectivamente, indecisão e acomodação. Isso é um inferno na vida de quem quer progredir de forma honesta e através do trabalho. Imagine: não saber o que fazer e ainda por cima, adiar a decisão... Não entendo muito sobre as obras dos barrocos, aliás, longe deles, mas pelo o que ouvi dizer, me parecem que se fossem pra ser divididos hoje, não seriam entre a igreja ou a cientificidade, mas sim indecisos e procrastinadores.
¹ – “Quase” por que o direito não necessitaria de apenas um, mas sim, dois ou mais indivíduos;
² – “intangíveis” não são apenas marcas de empresas; emoções e sentimentos são um bom exemplo
³ – “segredista” não sei se essa palavra existe, o que importa realmente é que eu sou um pouco, e é quase como uma filosofia de vida que segue os ensinamentos do livro “The Secret”, leia e entenderá, além de fazer muito bem.
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