E se ciência e religião fizessem as pazes?
Neste final de semana, um pouco pior do que o outro que havia escrevido, de sensações de infância, consegui, ainda que sob muito esforço, reunir algumas reflexões. Essa introdução breve e descritiva está servindo para que eu consiga me relembrar quais eram esses pensamentos; metódica pra indicar o caminho das pedras.
A falta de ter algo melhor que fazer me fez muito crítico, diria até meio “crica”, a ponto de prestar atenção nos comerciais de televisão, do pouco que assisto. A iniciativa e a intenção, escamoteada, da requerente da propaganda até parecem ser de cunho esclarecedor, tentando levar o telespectador à reflexões superficiais, as quais permitem chegar à um orgasmo resultante daquela masturbação mental que é inerente ao fato de se assistir televisão, principalmente da nossa queridíssima emissora favorita.
A propaganda a que me refiro, creio que muitos de vocês, leitores com um nível mínimo de cultura, já viram: emissora futura, comparsa de atitude da rainha global. No seu conteúdo, a frase que intitula essa crônica, passa, quase que desapercebida, como se fizesse o maior sentido lógico de todos, fazendo o leitor de suas sublinhas chegar à conclusão óbvia que me referia no parágrafo anterior, e disso decorrem duas situações.
A primeira, conclusão do leitor, é que, de fato, ciência e religião sempre estão, historicamente, contrapostas. De antemão, o que eu vejo como resultado desse raciocínio, é que sempre, como construção histórica, a ciência esteve tentando desbancar a religião, e esta, por sua vez, na tentativa de tirar o mérito da ciência. Mas ora! Ciência não é rixa entre alguns maus representantes de suas causas, mas sim, um conforto àquilo que o ser humano busca, de forma racional, explicar. Somente! O que houve nunca foi um conflito entre ciência e religião, como se houvesse uma transformação do que essas palavras significam em corpos que brigam, mas sim, conflitos mau resolvidos entre seus representantes. Pura falácia política dos eleitos representantes. Assim como amor, liberdade e justiça nunca vão ser corporizados em algo visível, tangível, tátil, a ciência e a religião, também nunca o farão.
Seguindo o raciocínio, a segunda circunstância, a qual fiz referência no terceiro parágrafo, é a presunção de mediocridade do telespectador que a propaganda traz. Não que eu seja a corporização da inteligência e do discernimento, mas façamos nossas ressalvas: quem são eles para nos pejorar de tal maneira a pensar que, da forma mais descarada, não entenderiamos o tapa na cara? O qual seja que a mediocridade permeia a mente daqueles que eles, por conta da propaganda, acham que foram esclarecidos. Faço-lhes um pedido: reflitam, e procurem dentro daquilo que conheceis, leitores: se a propaganda fosse esclarecedora, se tivesse realmente um cunho ideologicamente neutro, seria gratuita? Há que se ter cuidado, por que, como diziam os antigos, hoje em dia, de graça, até ônibus errado, e todo mundo embarca num sem número de pensamentos sem critério crítico, como apoiava nosso Foucault.
Embarcado nesse método, ainda havia uma professora (oh meu Deus, e ela leciona no curso de Direito), que crê que qualquer leitura é válida, e nas palavras dela “até mesmo Crepúsculo é uma boa leitura”. Trecho este que serve única e exclusivamente para exemplificar a marmelada que nossos ilustríssimos pós modernos nos meteram: a falta de critério para qualquer coisa. Sim, eis que, desde sempre, o papel aceita tudo que colocamos nele, a começar pela limpeza que fazemos depois de nossas necessidades fisiológicas. Onde quero chegar é que a falta de critério para disponibilização de tecnologias e bens de consumo como o celular, por exemplo, tem efeitos catastróficos. E fiquem à vontade para me chamar de déspota, por que eu, sinceramente, sinto vergonha alheia em saber que foi porque algumas pessoas tiveram acesso a um microcomputador – comprado nas casas bahiano em 24 vezes, com juros que ninguém pára pra pensar – que temos que ouvir as ridicularidades dos batidões dos morros, ou seja lá daonde todo aquele lixo vem.
Mas o discurso pós moderno dá um grito em favor à criatividade, à liberdade de expressão, mesmo que ridícula e, redundantemente, sem critério.
E eu aqui, reacionista...
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