Bang bang...
Foi o final de semana mais psicogicamente estranho e controverso. Me prometi algo que aquilo que era alvo da promessa não dependia de mim. Era como ser alvejado no peito com uma arma de grosso calibre. O tempo se dividiu em dois: era o tempo real, que foi relativamente longo; era o tempo da minha cabeça, que era curto demais para que eu sequer pudesse pensar em dizer que eu também sentia sua falta, que também estava com saudades, que estava loucamente com vontade de ter você em meus braços, num momento e num lugar só nosso.
Gostaria de parar de usar os verbos com essa conjugação “gostaria”. Tudo pra mim é num pretérito imperfeito. Saíra do meu domínio tão rápido... O que é a mais pura verdade é que independente de como eu conto a história, de como conjugo o verbo, ela sempre vai terminar comigo escrevendo sozinho, de noite, depois de um final de semana frustrado.
Não quero ver ninguém, amanhã é feriado e, se fosse a um ano atrás, não mediria esforços para estar bebendo e saindo por ai, na tentativa tosca de me saciar a vontade que a falta de coragem me impede de realizar. Só quero ver uma pessoa, essa pessoa, não sei se não me quer; não sei se fui muito impertinente em insistir que saisse comigo. O que sei é que a sensação que fica é que todas as tentativas são frustradas, que falhei nelas.
Tudo que me vem à cabeça quando lembro de você é a sua imagem sentada naquela cadeira de bar, acompanhada de dois amigos, sorrindo pra mim escancaradamente linda, gritantemente maravilhosa na intenção de obter reciprocidade. Hoje, eu faria muito mais para obter a intenção recíproca daquele momento que vou levar comigo para toda a vida: alguém que eu havia admirado platonicamente, correspondeu-me. Disso nunca esquecerei, e espero que você saiba o quão lindo aquilo foi pra mim, mesmo na minha tardia inocência e ingenuidade.
Tudo que me vem à cabeça agora é bang bang, de Nancy Sinatra. Aquele lindo som... bang bang... é o tiro à queima roupa: um na cabeça, outro no peito, bang bang... Viciei em ouvir essa música e em pensar em você, viciei em fantasiar algo diferente daquilo que aconteceu, em ter te falado, à epoca que deveria, que não era uma questão de o quão difícil seria estar contigo mas sim uma questão de querer tentar e ter exito na tentativa.
Você fez bang bang com seus olhos e me conquistou até hoje: é uma das pessoas que eu mais prezo a companhia...
Uau!
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